Desejo premente
ânsia inesgotável de uma presença
luz sorriso beijo
Quero todo o teu corpo
toda a tua vida em mim
para apaziguar os dias e noites
de irreparável sonolência
Sinto a tua pele
acaricio toda a longitude
de um deserto de areia leve e doce
Tudo fica estático
apenas se ouve o vento
passar ao de leve pela janela
de um quarto perdido
numa voz de risos
(02.05.2005)
Marta Dutra
quinta-feira, 6 de março de 2008
Liberdade!Liberdade
LIBERDADE!LIBERDADE!
Fui um dos manifestantes de Custóias
Que a polícia não conseguiu alvejar
Saía ódio saía pelo gatilho das espingardas
De menina ao colo fugi de medo
Fugi das espingardas fugi
Era o dia mundial da paz
Do ano da graça de 1976
Não matem os meus guardas assassinos
Dessa forma tão vil e estúpida
Para morrer quero uma razão
E exijo uma cabal explicação
Não levem o muito do pouco que tenho
Que anda perdida na ilusão ferida
Buscam-na mil desejos pensamentos vis
Não matem os meus assim
Aos ombros de mim fugia das balas fugia
Assassinas e desvairadas de metal
Não sabia por que fora ali aos ombros gritar
Liberdade! liberdade!
Cresceu sem ombros na amargura de pouco tê-los em seu poder?
Ou é outra razão irracional
Que ma quer tirar dos olhos do mundo?
Não vás assim leva Camus
Leva o desterro e deixa-o no nosso deserto
E regressa em paz sem sargentos
Sem guerras sem batalhas sem armas
Sem os olhos sangrentos
Regressa no Dia de Natal
Os meus ombros estão aqui
Nunca foram a guerras nem a batalhas querem ir
Estão aqui à tua espera
Para irmos a Custóias libertar os presos
António Fidalgo
1999, 13 de Janeiro
Fui um dos manifestantes de Custóias
Que a polícia não conseguiu alvejar
Saía ódio saía pelo gatilho das espingardas
De menina ao colo fugi de medo
Fugi das espingardas fugi
Era o dia mundial da paz
Do ano da graça de 1976
Não matem os meus guardas assassinos
Dessa forma tão vil e estúpida
Para morrer quero uma razão
E exijo uma cabal explicação
Não levem o muito do pouco que tenho
Que anda perdida na ilusão ferida
Buscam-na mil desejos pensamentos vis
Não matem os meus assim
Aos ombros de mim fugia das balas fugia
Assassinas e desvairadas de metal
Não sabia por que fora ali aos ombros gritar
Liberdade! liberdade!
Cresceu sem ombros na amargura de pouco tê-los em seu poder?
Ou é outra razão irracional
Que ma quer tirar dos olhos do mundo?
Não vás assim leva Camus
Leva o desterro e deixa-o no nosso deserto
E regressa em paz sem sargentos
Sem guerras sem batalhas sem armas
Sem os olhos sangrentos
Regressa no Dia de Natal
Os meus ombros estão aqui
Nunca foram a guerras nem a batalhas querem ir
Estão aqui à tua espera
Para irmos a Custóias libertar os presos
António Fidalgo
1999, 13 de Janeiro
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