quinta-feira, 6 de março de 2008

Liberdade!Liberdade

LIBERDADE!LIBERDADE!




Fui um dos manifestantes de Custóias

Que a polícia não conseguiu alvejar




Saía ódio saía pelo gatilho das espingardas




De menina ao colo fugi de medo

Fugi das espingardas fugi

Era o dia mundial da paz

Do ano da graça de 1976




Não matem os meus guardas assassinos

Dessa forma tão vil e estúpida

Para morrer quero uma razão

E exijo uma cabal explicação




Não levem o muito do pouco que tenho

Que anda perdida na ilusão ferida

Buscam-na mil desejos pensamentos vis

Não matem os meus assim




Aos ombros de mim fugia das balas fugia

Assassinas e desvairadas de metal

Não sabia por que fora ali aos ombros gritar

Liberdade! liberdade!




Cresceu sem ombros na amargura de pouco tê-los em seu poder?

Ou é outra razão irracional

Que ma quer tirar dos olhos do mundo?




Não vás assim leva Camus

Leva o desterro e deixa-o no nosso deserto

E regressa em paz sem sargentos

Sem guerras sem batalhas sem armas

Sem os olhos sangrentos

Regressa no Dia de Natal




Os meus ombros estão aqui

Nunca foram a guerras nem a batalhas querem ir

Estão aqui à tua espera

Para irmos a Custóias libertar os presos


António Fidalgo


1999, 13 de Janeiro

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